A Via Aquitânia
05 janeiro, 2026
A Vía Aquitânia é uma antiga estrada romana que conectava a Europa à Península e foi uma rota jacobeia medieval. Hoje, é recuperada como uma alternativa histórica ao Caminho Francês, destacando-se pelo seu patrimônio e valor cultural.
A Vía Aquitânia, no seu trecho castelhano, é um testemunho vivo da história que une o passado romano com a tradição jacobeia. Este antigo Caminho, que cruzava a meseta castelhana, foi uma artéria chave para o comércio e a comunicação na Hispânia romana. Com o tempo, tornou-se parte do Caminho de Santiago, guiando peregrinos através de paisagens carregadas de patrimônio cultural e espiritual. Neste artigo, exploraremos o legado da Vía Aquitânia na Castela, descobrindo seus vestígios históricos, sua conexão com a rota jacobeia e as razões pelas quais continua a ser uma opção única para aqueles que buscam caminhar entre história e natureza. Vamos percorrê-la?

A Vía Aquitânia no Pisuerga
Uma antiga via romana
A construção de vias e calçadas durante a civilização romana na Europa foi um dos avanços mais importantes na História Antiga, e têm sido transitadas durante muitos séculos. De fato, até hoje ainda as conservamos e, inclusive, as usamos. Muitos são os trechos dos caminhos jacobeus que ainda transitam sobre elas, como é a Vía XIX ao passar pelo Caminho Português, ou o caso desta recuperada Vía Aquitânia, um trecho de caminho jacobeo "esquecido" que está renascendo.
Os Caminhos a Santiago na História
Originalmente, na época romana, a Vía Aquitânia unía Narbona a Bordéus, passando por Toulouse, com um percurso total de 400 quilômetros, ligando a Itália à França. Posteriormente, e como continuação desta, desenvolveu-se a Vía XXXIV Ab Asturica Burdigalam, que unía Bordéus a Astorga, e que séculos depois, na Idade Média, era também conhecida como Vía Aquitânia, e era a calçada que muitos peregrinos medievais utilizavam para chegar a Santiago a partir desta região do sul da França.

A Vía Aquitânia em Bordéus
No seu percurso pela península Ibérica, e com destino a Santiago de Compostela, a Vía Aquitania era a preferida para atravessar o norte peninsular até pelo menos o século XI, a melhor conexão com a França e a Europa, embora o traçado não fosse o mesmo que o do posterior e atual Caminho de Santiago Francês. Assim como hoje, esta rota começava em Roncesvalles e passava por Navarra, mas depois se dirigia pelo País Vasco para entrar em Castela e Leão, passando pelas províncias de Burgos, Palencia e Leão, onde se conectava em Astorga com o atual Caminho Francês.
A viagem a Santiago, em seus inícios, era uma rota viva que foi modificando seu traçado em função dos avanços na Reconquista desde Astúrias em direção ao sul da meseta castelhana. Chegou um momento em que esta rota pela Vía Aquitania deixou de ser transitada, em favor do traçado que hoje conhecemos do Caminho de Santiago Francês, pois com o avanço territorial da Reconquista a meseta castelhana foi repovoada, edificando igrejas, mosteiros, hospitais, etc., e posteriormente foram fundadas vilas e novas infraestruturas, como passagens e pontes, que ofereciam um Caminho mais cómodo para os peregrinos.
A Vía Aquitania hoje
Existe na memória coletiva e documentação histórica peregrina, e por isso não deve ser deixada no esquecimento. Desde o ano de 2018 começou-se a trabalhar na recuperação deste Caminho, quando foi tomando forma e força. Após a pandemia de COVID-19 houve uma pausa lógica, embora a Vía Aquitania continue querendo renascer pouco a pouco.
Como comenta Amando Calzada, presidente da Associação Amigos do Caminho de Santiago Vía Aquitania, é importante adequar o Caminho e sinalizar bem, e a partir daí, começar-se-á a promoção. Serão editados folhetos e serão disponibilizados com códigos QR, além de estarem presentes nas redes sociais.
Trata-se de um trecho de 74 quilômetros entre a província de Burgos e a de Palência, situado paralelamente ao Caminho Francês atual. Começa em Tardajos (Burgos) e passa por localidades como Sasamón (Burgos), Melgar de Fernamental (Burgos), Osorno (Palência) e Carrión de los Condes (Palência), onde retoma o atual Caminho Francês. Muitos mais povos se aderiram a esta iniciativa, assim como 150 sócios.

Neste trecho, antigamente denominado como "Carrera Francesa", está-se trabalhando na sinalização, quase pronta, e os serviços para os peregrinos estão garantidos. Albergues como o de Melgar oferecem descanso e conforto aos peregrinos, e já há em projeto a construção de mais.
"É preciso ter em conta que, em conjunto, nesta zona se dá a maior concentração de patrimônio da província de Burgos". Efectivamente, e não só em Burgos, mas também em Palência, a Vía Aquitania oferece um grande patrimônio cultural, com povos declarados conjunto histórico-artístico e até Bem de Interesse Cultural. Além disso, esta forma de potencializar o turismo é responsável, e pode ajudar a lidar contra a despovoação, uma ameaça constante para estes territórios.
Um Caminho com passado, presente e futuro
Estamos ansiosos para percorrer a Vía Aquitania… e você, vem conosco ao Caminho de Santiago?