O Caminho Esquecido: História e itinerário

04 julho, 2025

O Camino Olvidado, antiga rota jacobeia desde Bilbao, foi muito importante na Idade Média antes do auge do Camino Francês. Hoje destaca-se pela sua história, património, paisagens de montanha, tranquilidade e autenticidade, embora mantenha sinalização e infraestruturas limitadas.

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Certamente, se você é iniciante, pode não ter ouvido falar deste Caminho, mas para os amantes do Caminho de Santiago é uma das rotas jacobeias mais mágicas de todas. Este Caminho Esquecido foi a rota para Santiago mais importante do século XII, e era conhecido como "O Caminho da Montanha". Atualmente é conhecido como o Caminho Esquecido e começa em Bilbao.

A história deste caminho remonta-se aos séculos IX e XII, época da reconquista espanhola das terras invadidas pelos muçulmanos. As contínuas guerras e conflitos fizeram com que os peregrinos sentissem medo diante desse perigo. A isso se soma o difícil itinerário marcado pela costa, o que os levou a buscar uma rota alternativa mais segura. Esta rota foi o Caminho da Montanha, que atravessava a cordilheira pirenaica ou cantábrica para chegar a um terreno de baixa montanha e continuar com um perfil de dificuldade média ao longo do trajeto.

Esta rota caiu no esquecimento, daí seu nome. Após a reconquista da Meseta Norte, os reis de Navarra e de León decidiram promover o uso de uma rota alternativa situada um pouco mais ao sul. A intenção desse uso era apenas agilizar e facilitar o trânsito de peregrinos e do comércio. Foi assim que se impulsionou esta rota, conhecida atualmente como o Caminho Francês, abandonando a antiga rota que se tornou obsoleta, o Velho Caminho.

Etapas do Caminho Esquecido

Esta rota do Caminho de Santiago é dividida em um total de 20 ou 21 etapas aproximadamente, com cerca de 480 quilômetros de percurso. Depois, encontraremos duas variantes para continuar até Santiago.

Mojón del Camino Olvidado a Santiago Marco do Caminho Esquecido para Santiago

O percurso parte de Bilbao e passa por localidades como Balmaseda, Espinosa de los Monteros, Arija, Aguilar de Campoo, Cervera de Pisuerga, Guardo, Cistierna, Boñar, La Robla, Cacabelos e Villafranca del Bierzo. Ali conecta com o Camino Francés e continua até Santiago, sendo na verdade uma conexão do Camino del Norte com a rota francesa. Como mencionamos anteriormente, uma vez terminado o trecho da rota esquecida, teremos duas possibilidades para continuar, ou pelo Camino Francés a partir de Villafranca del Bierzo ou de Ponferrada tomando o Camino de Invierno.

Existe um percurso do Camino Olvidado que não parte de Bilbao, mas sim de Pamplona. Segue por Alsasua, Salvatierra, Vitoria, Frías, Oña e Sedano para chegar a Aguilar de Campoo, e a partir daí continuar como no Caminho que parte de Bilbao. Da mesma forma, existem muitas variantes dentro de cada um dos percursos.

Lugares com História

A cada passo nesta velha rota, veremos de um lado e do outro do Caminho lugares incríveis e poderemos nos deliciar com a história. Passaremos por velhas pontes e calçadas romanas, aquelas que foram pisadas por legiões romanas e exércitos cristãos. Um percurso utilizado na antiguidade por milhões de peregrinos que se dirigiam a Santiago ou até mesmo a Santo Toribio de Liébana (Camino Vadiniense) ou ao Salvador em Oviedo (Camino de San Salvador) ou a Valdorria para venerar a S. Froilán.

Ainda podemos fazer este percurso pela história desta rota, encontrando em nosso caminho um amplo legado arqueológico e monumental no qual podemos destacar o seguinte:

Patrimônio arqueológico

Alguns testemunhos pré-históricos se conservam. Entre outros, podemos mencionar menhir-puente (Reinosilla). Também é importante o legado romano, pois o percurso passa em grande parte pelas vias romanas que serviam para o deslocamento das legiões, como por exemplo as calçadas romanas (Zalla, Nava de Ordunte, Burcena, Irus, Nestar, Matamorisca,…).

Calzada romana Calçada romana

Restos civis

Castelos, torres e muralhas contribuíram para a defesa de terras que, em muitos casos, eram fronteiriças com os domínios árabes. Algumas dessas construções encontram-se em ruínas, outras foram restauradas com diferentes utilidades. Se você seguir este Caminho, poderá ver torres como a Torre de Renovales (Güenes), a Torre de Terreros (Zalla) ou castelos como o de La Robla (Los Alba).

Para os peregrinos, sempre foi um grave problema os múltiplos rios, por isso a existência de pontes seguras para poder cruzá-los marcou o traçado de alguns trechos desta rota, como por exemplo: Güenes, Ponte Almuhey, Ponte Velha (Boñar), Ponte Maior e Portazgo (Aguilar de Campoo).

Arquitectura del Camino Olvidado a Santiago Arquitetura do Caminho Esquecido a Santiago

Os senhorios localizados nas capitais comarcais manifestavam seu prestígio com edificações de certa ostentação, como palácios e casas senhoriais. O Palácio Cuadra Salcedo (Güenes), o Palácio de Horcasitas (Balmaseda), o Palácio de Torquemada e dos Toledo (Villafranca del Bierzo), etc., são alguns exemplos.

Restos religiosos

Com relação ao estilo românico, em nosso caminho poderemos encontrar exemplos como Santiago Apóstolo (Quisicedo), a Igreja de Villafrería (Retortillo), Santa Cecília (Aguilar de Campoo), o Mosteiro de Santa Maria a Real (Aguilar de Campoo), entre outros exemplos.

A época gótica também nos deixou sua marca no Caminho da Montanha. Com exemplos como a Catedral de Santiago (Bilbao), o retábulo de São Nicolau (Espinosa de los Monteros), a Igreja da Assunção (Pisón de Castrejón), etc.

Arquitectura religiosa en el Camino Olvidado a Santiago Arquitetura religiosa no Caminho Esquecido a Santiago

A corrente renascentista também deixou algumas manifestações dignas de menção e, como exemplo, temos a Torre da Colegiada de S. Miguel (Aguilar de Campoo), o retábulo herreriano da ermida de Celada (La Robla) ou a Colegiada de Santa Maria (Villafranca del Bierzo).

Por último, o barroco continuou a enriquecer o patrimônio artístico desta rota com obras como o Santuário Nª Sra. de Pandorado, a Torre da Igreja de S. Juan e S. Severino (Balmaseda) ou a Ermida da Cruz (Cervera de Pisuerga), entre outros.

O Caminho deixa seu esquecimento…

Atualmente, várias associações de Amigos do Caminho estão tentando recuperar esta rota. De fato, na parte final, considerou-se oportuno realizar uma modificação no ponto de conexão com o Caminho Francês. Sua sinalização é bastante elemental, a infraestrutura é complicada e os serviços são limitados: escasseiam os albergues, embora tenha aumentado significativamente o número de casas rurais.

Cada vez mais peregrinos se encaminham para realizar esta rota. O Velho Caminho nos oferece essa paz e tranquilidade que buscamos e nos permite a cada passo encontrarmos com nós mesmos e seguir os passos da história, uma viagem incrível por estas aldeias, seguindo os velhos caminhos onde descobrireis lugares de uma beleza singular.

Comentários (1)

  • David

    David

    El camino olvidado De Santiago no termina en Villafranca de El Bierzo, termina históricamente en Cacabelos

    Cristian Rodriquez

    Cristian Rodriquez

    ¡Hola David! Nos alegra saber que hay más apasionados del Camino de Santiago como nosotros. Sin embargo, tengo una mala noticia (o buena, según se vea) para ti. Hay teorías que defienden que Cacabelos es la ubicación donde termina. Sin embargo, hay otras muchas fuentes que defienden que finaliza en Villafranca del Bierzo. Te recomendamos que eches un vistazo al siguiente enlace..

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Rafael Sánchez López - Kaufmännischer Leiter - Agentur Viajes Camino de Santiago