O que ver no Caminho de Santiago desde Tui: guia por etapas
12 março, 2026
Este artigo detalha o que ver no Caminho de Santiago desde Tui, percorrendo o Caminho Português até Santiago de Compostela, com paradas históricas e culturais em lugares como Tui, O Porriño, Pontevedra, Caldas de Reis e Padrón, além de pontes romanas, igrejas e cruzeiros que enriquecem a experiência do peregrino.
O Caminho de Santiago não é apenas uma rota a pé. É um percurso carregado de história, espiritualidade e patrimônio que se descobre passo a passo. Ao longo dos últimos cem quilômetros do Caminho Português desde Tui, o peregrino encontra igrejas históricas, capelas rurais, cruceiros, pontes medievais, antigos caminhos romanos e numerosos lugares vinculados à tradição jacobeia que fazem parte essencial da experiência do Caminho. Se você quer saber o que ver no Caminho Português desde Tui, está no lugar certo. Este trecho final do Caminho combina patrimônio histórico, paisagens naturais e localidades com uma forte tradição peregrina que acompanham o caminhante até Santiago de Compostela.

O Caminho de Santiago desde Tui esconde muitas coisas para ver, fazer e até saborear
O que ver no Caminho Português desde Tui
O trecho que começa em Tui é um dos mais populares do Caminho Português. Desde esta histórica cidade fronteiriça até Santiago de Compostela, o Caminho atravessa vales fluviais, aldeias tradicionais, cidades históricas e paisagens rurais características do sul da Galícia.
Tui é um dos principais pontos de início do Caminho Português na Espanha. Situada junto ao rio Miño e em frente à cidade portuguesa de Valença, conserva um importante casco histórico medieval e um dos templos mais destacados do Caminho.
Etapa 1: Tui – O Porriño
A primeira etapa do Caminho Português desde Tui começa em uma cidade carregada de história. No entorno da fronteira entre Espanha e Portugal destaca-se o Ponte Internacional de Tui, que conecta ambas as margens do rio Miño e simboliza a passagem de peregrinos entre os dois países. No centro histórico pode-se visitar a catedral de Santa María de Tui, um dos templos mais importantes do Caminho Português e um dos melhores exemplos do românico e gótico na Galícia. Muito perto encontram-se o convento das Clarissas, o túnel das Monjas, a igreja de San Francisco e a capela de San Telmo, dedicada ao patrono da cidade.
À saída de Tui, sobre o quilômetro 118, o Caminho passa por Rebordáns, onde se encontra a igreja de São Bartolomeu de Rebordáns e seu característico cruceiro situado em frente ao templo. E continuando o percurso, ao chegar ao km 116,870, aparece a ponte romana medieval do rio Louro, um dos elementos históricos vinculados ao antigo traçado do Caminho; de fato, já podemos advertir os sinais da antiga calçada romana Via XIX, que unia Asturica Augusta (Astorga) e terminava em Bracara Augusta (Braga), os quais encontraremos também durante todo o percurso. Mais adiante, após o km 115,580 aproximadamente, encontra-se a capela da Virgem do Caminho. Pouco depois, após o km 112,740, o Caminho chega a um dos lugares mais simbólicos desta rota: Ponte das Febres, junto à cruz de São Telmo, lugar vinculado à história de Tui.

No Caminho desde Tui, atravessará a ponte das Febres e muitas mais, como esta em Orbenlle
O Caminho continua por Ribadelouro, onde se encontra a igreja de Santa Comba de Ribadelouro, à altura do km 111,420. Mais adiante, após atravessar a ponte de Orbenlle, aparecerá uma bifurcação, concretamente no km 110,040: à direita o caminho continua por um itinerário mais curto atravessando o polígono industrial, enquanto que à esquerda pode-se tomar um caminho complementar junto ao rio Louro, mais longo mas muito mais agradável. Neste percurso alternativo aparecem o cruceiro de São Campio e a capela de São Campio, antes de chegar finalmente a O Porriño, e é uma das variantes e caminhos complementares mais importantes do Caminho Português.
No centro desta localidade, aproximadamente sobre o km 103, destaca-se a câmara municipal ou Casa Consistorial de O Porriño, obra do arquiteto Antonio Palacios, natural da cidade e artífice também do antigo Palácio de Comunicações de Madrid, atual sede da Câmara Municipal da capital. Também vale a pena visitar a igreja de Santa Maria de O Porriño.

Câmara Municipal de O Porriño
Etapa 2: O Porriño – Arcade
A segunda etapa continua pelo vale do rio Louro e atravessa pequenas localidades historicamente ligadas ao Caminho. Em Mos, concretamente no lugar de Caminó da Rúa (km 96,730), encontra-se a igreja de Santa Baia de Mos, o Pazo de Mos, um cruceiro histórico e o albergue de peregrinos de Mos, um ponto habitual de descanso para os caminhantes.
Pouco depois, por volta do km 93,350, aparece o miliário romano de Vilar, que lembra novamente que o Caminho Português segue uma via romana. O Caminho continua passando perto de alguns furanchos típicos da zona (uma espécie de tabernas caseiras onde se vendiam excedentes de vinho acompanhados de comidas caseiras), até Redondela, no km 87,690, onde ocorre a união com o Caminho Português da Costa. Aqui pode-se visitar o convento de Vilavella e percorrer seu centro histórico, antes de continuar em direção a Arcade.
A etapa continua por Cesantes, perto de sua praia, e finaliza em Arcade, localidade situada no início da ría de Vigo, por volta do km 80,620. Aqui destaca-se a ponte medieval de Ponte Sampaio, cenário da batalha de Ponte Sampaio em 1809 durante a Guerra da Independência contra as tropas napoleônicas. Também vale a pena visitar o mole de Arcade. A localidade é especialmente conhecida pela sua gastronomia, em particular pelas suas famosas ostras da ría de Vigo.

Peregrinos caminhando o Caminho Português, antes de cruzar a ponte de Pontesampaio
Etapa 3: Arcade – Pontevedra
A etapa começa cruzando a histórica ponte medieval de Ponte Sampaio, que atravessa o rio Verdugo. Pouco depois, o Caminho cruza o rio Ulló e sobe por um antigo caminho romano pavimentado que atravessa uma bela floresta. Por volta do km 76,700 é possível encontrar Manolito, que oferece bebidas, selo, conselhos e ânimo aos peregrinos, assim como Camilo Cacheiro ou um food-truck itinerante.
Já no local de Ganderón aparece a capela de Santa Marta, e um pouco mais à frente existe uma famosa bifurcação: à direita o Caminho chega mais diretamente a Pontevedra pela estrada comarcal EP-002, enquanto que à esquerda pode-se tomar o caminho complementar junto ao rio Tomeza-Gafos, um percurso muito agradável entre trilhas arborizadas e sugestivos meandros. Finalmente, sobre o km 67,780, chega-se a Pontevedra, uma das cidades históricas mais interessantes do Caminho Português.
No seu centro histórico destacam-se a igreja da Virgem Peregrina, com sua singular planta em forma de concha de vieira, a própria praça da Peregrina, a praça da Lenha e a praça da Ferraria. Também podem ser visitados o convento de São Francisco, as ruínas de Santo Domingo, a praça de touros, a praça das Cinco Ruas e o cruceiro de Adão e Eva, situado junto à antiga residência do escritor galego Ramón María del Valle-Inclán.

Igreja da Virgem Peregrina, parada obrigatória de todo peregrino em Pontevedra
Etapa 4: Pontevedra – Caldas de Reis
A saída de Pontevedra realiza-se cruzando o histórico Ponte do Burgo sobre o rio Lérez, no km 65,920. Mais à frente aparece outra famosa bifurcação, a do começo da Variante Espiritual do Caminho Português, que se dirige a Armenteira. Nosso caminho continua pela direita, seguindo o marco km 63,280 em direção a Caldas de Reis. Em Santa Maria de Alba, no km 62,780, encontra-se a igreja de Santa Maria de Alba, seu cemitério, a Casa da Misericórdia, conhecida por sua acolhida a peregrinos, e o cruceiro de Santa Maria de Alba.
Mais adiante, sobre o km 57,500, aparece a capela de San Amaro de Barro. Este trecho do Caminho atravessa zonas rurais onde predominam as vinhas da Denominação de Origem Rías Baixas. Antes de chegar a Caldas existe a possibilidade de desviar-se para visitar as cascatas de Barosa, um ambiente natural com moinhos tradicionais e uma área muito frequentada para descansar. A etapa conclui sobre o km 45, já em Caldas de Reis, um paraíso de águas termais. Aqui destacam-se a igreja de Santa María de Caldas, o Hotel Balneario Acuña, o também termal Hotel Dávila, a ponte romana, a fonte termal das Burgas, o lavadouro termal e o jardim botânico, assim como o passeio fluvial junto ao rio Umia.

Fonte termal em Caldas de Reis
Etapa 5: Caldas de Reis – Padrón
A quinta etapa atravessa paisagens rurais e pequenas aldeias, que encontraremos saindo de Caldas de Reis a partir do km 44,270. Em Carracedo encontra-se a igreja de Santa Mariña de Carracedo, no km 39,260. Mais adiante, em Valga, destaca-se a igreja de San Miguel de Valga, já no km 33. O Caminho continua em direção a Pontecesures, onde se encontra a igreja de San Julián de Requeixo, após o km 28,840. Daqui existe um desvio para a aldeia de Herbón, onde se localiza o histórico convento franciscano de Herbón. A localidade é além disso famosa pelos seus famosos pimentos de Herbón, embora tradicionalmente sejam conhecidos como "de Padrón".
Atravessando o rio Ulla, entra-se na província da A Coruña e pouco depois chega-se a Padrón, após o km 27,880. Nesta localidade destacam-se o Paseo del Espolón, os monumentos a Camilo José Cela e Rosalía de Castro e a igreja de Santiago Apóstol, onde se conserva o Pedrón, a pedra onde, segundo a tradição, foi amarrada a barca que transportou os restos do apóstolo Santiago no episódio da Traslatio ou traslação do Apóstolo Santiago. Por este episódio, talvez, hoje em dia o peregrino, ao passar por Padrón, pode solicitar a Pedronia, o documento oficial de ter visitado a cidade e seus lugares sagrados em peregrinação a Santiago.
Também se podem visitar o convento do Carmen, o monte Santiaguiño e a ermida de Santiaguiño do Monte, um enclave muito jacobeo, lugar onde a tradição situa a pregação do apóstolo na Galícia. Outro espaço interessante é o Jardim Botânico Artístico de Padrón.

Pedrón na Igreja de Santiago de Padrón
Etapa 6: Padrón – Santiago de Compostela
A última etapa começa saindo de Padrón, no km 25,570. Em Iria Flavia, o Caminho passa junto à igreja de Santa María de Iria Flavia (km 25,140), localidade onde nasceu o escritor Camilo José Cela. Em A Escravitude, destaca-se o santuário de A Escravitude, um dos templos barrocos mais importantes do Caminho Português, já no km 19,560. Um pouco mais adiante aparece a igreja de Santa María de Cruces. O Caminho continua pela zona de O Faramello (km 15,150), lugar vinculado à tradição do Castro Lupario e à figura lendária da rainha Lupa.
Em Francos encontra-se a capela de São Martinho de Francos, já no km 13,800. Alguns quilômetros depois aparece O Milladoiro, a última grande localidade antes de Santiago e o que seria o Monte do Gozo no Caminho Francês, pois à saída da cidade (km 7,664) já se avista a Catedral de Santiago. Mas antes passa-se pela zona de Rocha Forte (km 5,373), onde se situava uma antiga fortaleza medieval relacionada com as revoltas irmandiñas do século XV. E após o km 3,478 o peregrino, para entrar em Compostela, tem outra bifurcação: à direita, mais longa, por Conxo, ou à esquerda, mais curta, por Santa Marta.
Finalmente o Caminho entra em Santiago pelo entorno do Campus Sur da Universidade de Santiago e se dirige ao centro histórico atravessando a Porta Faxeira e a conhecida Rúa do Franco. O Caminho culmina na praça do Obradoiro e na Catedral de Santiago de Compostela, onde descansam as relíquias do apóstolo Santiago e onde finaliza a peregrinação.

A Catedral de Santiago de Compostela estará aí esperando por você
Um Caminho cheio de história e patrimônio
O Caminho Português desde Tui oferece uma extraordinária combinação de patrimônio histórico, paisagens naturais e tradição jacobeia. Ao longo de suas etapas o peregrino atravessa cidades históricas, aldeias rurais, antigos caminhos romanos e templos vinculados há séculos ao fenômeno da peregrinação. Cada igreja, cada ponte e cada pequeno santuário fazem parte de uma história que acompanha o peregrino até a chegada a Santiago de Compostela.
¡Ultreia et Suseia!